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    Iniciação científica – como os mais experientes podem se sentir

    Outro dia recebi um e-mail de um ex-aluno meu, que hoje já é profissional e disse que recebeu de um ex-aluno dele… embora fique parecendo fofoca, como o ponto central é válido mesmo que apócrifo, vou aproveitar a deixa para iniciar o que gostaria que fosse um diálogo por este blog…. dei uma editada básica no texto para só deixar os pontos mais importantes e gerais, por sinal

    Professor pelo amor de Deus … um estagiario do nosso grupo me perguntou o que é literatura… gente só ouço pérolas todos os dias. … Professor eles não sabem o básico do básico do básico … Como vou falar com esses meninos se eles não sabem o alfabeto? Não tem simplicidade e nem vontade. Isso não é específico para nossos aprendizes … E ao que me parece a desordem é geral. Não adianta passar texto científico porque a maioria mal sabe interpretar um texto simples. To preocupada com isso, muito preocupada com o futuro.

    Versões de comunicação deste tipo são comuns no nosso dia a dia, tipicamente com alunos/pós-doutorandos/professores escandalizados com o baixo conhecimento de estudantes de iniciação científica ou alunos nas disciplinas de graduação. O meu ponto de vista é algo diferente, e é o que eu gostaria de expor aqui, para ser pensado e discutido por quem se interessar no debate.

    Em primeiro lugar, a porta de entrada no mundo científico, no Brasil, é a iniciação científica, e como toda iniciação é um começo… se o cara já sabe tudo, não entra pela iniciação, não é mesmo. Então é de se esperar a meu ver, que o novo aluno (por sinal, só para deixar um ponto claro, tenho o hábito de escrever no masculino para casos gerais por ser velho o suficiente para ter sido ensinado que este é o padrão gramatical… por favor, sempre leiam o(a) aluna(o) – etc – dá trabalho demais ficar escrevendo toda vez deste jeito, e fica chato para ler. Às alunas, podem ficar tranquilas que isto não é sinal de que sejam cidadãs de segunda categoria na minha equipe, inclusive porque neste momento vocês formam cerca de 75-80% dos meus orientados) não saiba muito bem o que é a ciência, além daqueles velhos clichês de Einstein, Frankstein, ou hoje em dia aqueles dementes de BigBang Theory.

    Na verdade, ciência é um diálogo construído no dia a dia, em que eu, você e um MONTE de gente igualzinha a nós participa todo dia. Na maioria das áreas do conhecimento, e com toda certeza nas ciências agrárias este diálogo é com base na literatura e sempre discutindo um aspecto específico, uma pergunta particular. Em sua essência mais básica a ciência é o principal mecanismo para nossa sociedade tentar resolver os problemas do mundo real.

    Durante o processo de criação do conhecimento científico, o pesquisador identifica um determinado problema, com base na literatura, na sua experiência de vida, porque algum membro da sociedade externa considerou que era problema, ou seja lá como for. Com base nesta identificação, a equipe vai tentar identificar o que já se sabe (lendo o que foi publicado no tema, ou em temas parecidos na literatura científica mundial), o que ainda não se sabe a este respeito (exatamente da mesma forma), pensar em possíveis mecanismos que expliquem o que provavelmente está acontecendo e preferencialmente resolvam o problema, desenhar um determinado procedimento (um experimento real, um experimento de raciocínio, uma amostragem, uma observação usando um satélite, olhar uma biblioteca de informações antigas) seja lá o que for mais adequado para adquirir as informações necessárias, obter os dados, analisar os ditos cujos, e interpretar os resultados com base no conhecimento prévio e nos possíveis mecanismos teóricos pensados inicialmente.

    Depois disto tudo, o grupo vai submeter o conjunto de ideias completo à comunidade científica, através da submissão a um periódico científico que vai avaliar o mérito do trabalho (este ponto é realmente algo que não se sabia? o método escolhido é adequado para resolver esta pergunta? a interpretação dada está aprofundada e contribui para o aumento do conhecimento no assunto? são as perguntas chaves), normalmente pedir alguma clarificação de algo que não ficou claro, e finalmente divulgar para toda a comunidade. Se o trabalho realmente contribuir, ele vai ser usado pela comunidade científica global, e isto vai aparecer na forma de citações em que outros pesquisadores usaram seus resultados para explicar o que aconteceu com os deles…

    Voltando ao início da pergunta, a literatura científica é justamente esta base mundial do conhecimento acumulado, e que deve ser a base do nosso conhecimento.

    Já quanto ao problema dos iniciantes não saberem disto, bem, a graça do jogo é justamente esta. Pegar as novas gerações e fazer com que elas, como nós já fazemos (ou deveríamos), possam subir nos nossos ombros e serem melhores do que nós em todos os aspectos. Afinal, como já diz uma das frases mais famosas do mundo

    If I have seen further than others, it is by standing upon the shoulders of giants. Isaac Newton

    Se eu vi mais longe do que os outros, é porque subi nos ombros de gigantes. Isaac Newton

    Por sinal, quanto ao último ponto levantado, sobre não ter simplicidade, nem vontade, não tem muito o que fazer, exceto saber que como tudo na vida características deste tipo variam de pessoa para pessoa, de momento para momento, e que só cabe ao mais velho olhar no espelho e pensar se no passado não cometeu os mesmos pecados, seja no trabalho, seja em casa, e procurar ver diferentes mecanismos para ajudar esta pessoa a melhorar neste ou naquele outro aspecto. Finalmente se nada resolver, a vida vai ensinar mais na frente.

    Por outro lado, se você é um iniciante na carreira, lembre que aprender com a porta na cara dos outros doi muito menos do que aprender com a porta na sua cara… observe e converse com os mais experientes. Você pode não concordar com tudo (aliás não deve concordar com tudo), mas pode e deve aprender com tudo, seja por aprender como quer fazer no seu futuro, seja aprendendo como não quer fazer…

    Eu espero voltar a discutir alguns destes pontos em outras postagens, particularmente os que destaquei no processo de criação do conhecimento científico. Por outro lado, se alguém quiser discutir a este respeito através dos comentários, ou me pedir para falar um pouco mais de algum aspecto em particular, por favor fique completamente à vontade.

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